Versos Portuguese Álvares de Azevedo Luar de Verão

Portuguese poem

Luar de Verão

by (1831–1852)

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O que vês, trovador? — Eu vejo a lua Que sem lavor a face ali passeia... No azul do firmamento inda é mais pálida Que em cinzas do fogão uma candeia.

O que vês, trovador? — No esguio tronco Vejo erguer-se o chinó de uma nogueira... Além se entorna a luz sobre um rochedo, Tão liso como um pau de cabeleira.

Nas praias lisas a maré enchente S'espraia cintilante d'ardentia... Em vez de aromas as douradas ondas Respiram efluviosa maresia!

O que vês, trovador? — No céu formoso Ao sopro dos favônios feiticeiros Eu vejo — e tremo de paixão ao vê-las - As nuvens a dormir, como carneiros.

E vejo além, na sombra do horizonte, Como viúva moça envolta em luto, Brilhando em nuvem negra estrela viva Como na treva a ponta de um charuto.

Teu romantismo bebo, ó minha lua, A teus raios divinos me abandono, Torno-me vaporoso... e só de ver-te Eu sinto os lábios meus se abrir de sono.