Portuguese poem
Quando, à noite, no leito perfumado
by Álvares de Azevedo (1831–1852)
Dreams! dreams! dreams! W. COWPER
Não te lembra do peito os meus amores E a febre do sonhar de minha vida?
Dorme, ó anjo de amor! no teu silêncio O meu peito se afoga de ternura... E sinto que o porvir não vale um beijo E o céu um teu suspiro de ventura!
Um beijo divinal que acende as veias, Que de encantos os olhos ilumina, Colhido a medo, como flor da noite, Do teu lábio na rosa purpurina...
E um volver de teus olhos transparentes, Um olhar dessa pálpebra sombria Talvez pudessem reviver-me n'alma As santas ilusões de que eu vivia!