Versos Portuguese Álvares de Azevedo Quando falo contigo, no meu peito

Portuguese poem

Quando falo contigo, no meu peito

by (1831–1852)

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Só um olhar por compaixão te peço, Um olhar.... mas bem lânguido, bem terno... Quero um olhar que me arrebate o siso, Me queime o sangue, m'escureça os olhos, Me torne delirante! ALMEIDA FREITAS

Sur votre main jamais votre front ne se pose, Brûlant, chargé d'ennuis, ne pouvant soutenir Le poids d'un douloureux et cruel souvenir; Votre coeur virginal en lui-même repose. Th. Gautier

Ricorditi di me............... DANTE, Purgatório

E os ais que pela noite, no silêncio, Arquejam no seu peito delirante!

E quando sofre e padeceu... e a febre Como seus lábios desbotou na vida... E sua alma cansou na dor convulsa E adormeceu na cinza consumida!

Talvez terias dó da mágoa insana Que minh'alma votou ao desalento... E consentirás, ó virgem dos amores, Descansar-me no seio um só momento!

Sou um doudo talvez de assim amar-te, De murchar minha vida no delírio... Se nos sonhos de amor nunca tremeste, Sonhando meu amor e meu martírio...

E não pude, febril e de joelhos, Com a mente abrasada e consumida, Contar-te as esperanças do meu peito E as doces ilusões de minha vida!

Oh! quando eu te fitei, sedento e louco, Teu olhar que meus sonhos alumia,

Eu não sei se era vida o que minh'alma Enlevava de amor e adormecia!

Oh! nunca em fogo teu ardente seio A meu peito juntei que amor definha! A furto apenas eu senti medrosa Tua gélida mão tremer na minha!...

Tem pena, anjo de Deus! deixa que eu sinta Num beijo esta minh'alma enlouquecer E que eu viva de amor nos teus joelhos E morra no teu seio o meu viver!

Sou um doudo, meu Deus! mas no meu peito Tu sabes se uma dor, se uma lembrança Não queria calar-se a um beijo dela, Nos seios dessa pálida criança!

Se num lânguido olhar no véu de gozo Os olhos de Espanhola a furto abrindo Eu não tremia... o coração ardente No peito exausto remoçar sentindo!

Se no momento efêmero e divino Em que a virgem pranteia desmaiando

E a c'roa virginal a noiva esfolha, Eu queria a seus pés morrer chorando!

Adeus! Rasgou-se a página saudosa Que teu porvir de amor no meu fundia, Gelou-se no meu sangue moribundo Essa gota final de que eu vivia!

Adeus, anjo de amor! tu não mentiste! Foi minha essa ilusão e o sonho ardente: Sinto que morrerei... tu, dorme e sonha No amor dos anjos, pálido inocente!

Mas um dia... se a nódoa da existência Murchar teu cálix orvalhoso e cheio, Flor que respirei, que amei sonhando, Tem saudade de mim, que eu te pranteio!