Portuguese poem
A M. C
Não busco n'esta vida gloria ou fama: Das turbas que me imporia o vão ruido? Hoje deus, e amanhã já esquecido, Como esquece o clarão de extinta chama!
Fóco, que a luz em torno não derrama, Tal é essa ventura; éco perdido, Quanto mais se chamou, mais escondido Fugiu e se esqueceu de quem o chama.
Cada flor d'essa croa é um engano, Como a nuvem das tardes ilusoria, Como o misterio vão d'um vão arcano.
Mas croe-me tua mão a fronte ingloria, Cinge-me tu o louro soberano... Verás, verás então se amo essa gloria!