Versos Portuguese Antero de Quental A Um Crucifixo

Portuguese poem

A Um Crucifixo

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(Primeira elaboração do Soneto de p. 20 dos Sonetos Completos)

Dieu n'est pas! Dieu n'est plus

Ha mil annos, oh Christo, ergueste os magros braços, E clamaste da cruz: «Ha Deus!» e olhaste, oh crente, O horizonte futuro, e viste em tua mente O alvor do céo banhar de luz esses espaços!

Porque morreu sem ecco o ecco de teus passos? E de tua palavra (oh Verbo!) o som fremente? Morreste! ó dorme em paz: não volvas, que descrente Arrojáras de novo á campa os membros lassos!...

Ha mil annos! ha mil! Que é d'ella a tua esp'rança? Ainda, como então, Amor--traduz--Vingança, E é o int'resse glacial das almas o sudario!

Ainda, como então, víras o mundo exangue? E ouvíras perguntar: «De que serviu o sangue Com que regaste, oh Christo, as urzes do Calvario?!»

Coimbra, Novembro, 1862.

* * * * *

VARIANTE DO 2.^o TERCETO

Agora, como então, na mesma terra erma, A mesma humanidade é sempre a mesma enferma, Sob o mesmo ermo céo, frio como um sudario.