Portuguese poem
A Um Poeta
Surge et ambula!
Tu, que dormes, espirito sereno, Posto á sombra dos cedros seculares, Como um levita á sombra dos altares, Longe da lucta e do fragor terreno,
Accorda! é tempo! O sol, já alto e pleno, Afugentou as larvas tumulares... Para surgir do seio d'esses mares, Um mundo novo espera só um aceno...
Escuta! é a grande voz das multidões! São teus irmãos, que se erguem! são canções... Mas de guerra... e são vozes de rebate!
Ergue-te pois, soldado do Futuro, E dos raios de luz sonho puro, Sonhador, faze espada de combate!
Hymno á Razão
Razão, irmã do Amor e da Justiça, Mais uma vez escuta a minha prece. É a voz d'um coração que te appetece, D'uma alma livre, só a ti submissa.
Por ti é que a poeira movediça De astros e soes e mundos permanece; E é por ti que a virtude prevalece, E a flor do heroismo medra e viça.
Por ti, na arena tragica, as nações Buscam a liberdade, entre clarões: E os que olham o futuro e scismam, mudos,
Por ti, podem soffrer e não se abatem, Mãe de filhos robustos, que combatem Tendo o teu nome escrito em seus escudos!
1874--1880