Portuguese poem
Ideal
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Aquela, que eu adoro, não é feita De lyrios nem de rosas purpurinas, Não tem as formas languidas, divinas Da antiga Venus de cintura estreita...
Não é a Circe, cuja mão suspeita Compõe filtros mortaes entre ruinas, Nem a Amazona, que se agarra ás crinas D'um corcel e combate satisfeita...
A mim mesmo pergunto, e não atino Com o nome que dê a essa visão, Que ora amostra ora esconde o meu destino...
É como uma miragem, que entrevejo, Ideal, que nasceu na solidão, Nuvem, sonho impalpavel do Desejo...
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