Portuguese poem
Idyllio
Quando nós vamos ambos, de mãos dadas, Colher nos valles lyrios e boninas, E galgamos d'um folego as colinas Dos rocios da noite inda orvalhadas;
Ou, vendo o mar, das ermas cumiadas, Contemplamos as nuvens vespertinas, Que parecem phantasticas ruinas Ao longe, no horisonte, amontoadas:
Quantas vezes, de subito, emmudeces! Não sei que luz no teu olhar fluctua; Sinto tremer-te a mão, e empallideces...
O vento e o mar murmuram orações, E a poesia das cousas se insinua Lenta e amorosa em nossos corações.