Portuguese poem
Ignoto Deo
Vai-te, na aza negra da desgraça, Pensamento d'Amor, sombra d'uma hora, Que estreitei tantos seclos, vai-te—embora!— Como nuvem que o vento impele... e passa.
Que arrojemos de nós quem mais se abraça, Com mais ancia, á nossa alma! e quem devora D'essa alma o sangue, com que mais vigora, Como amigo comungue á mesma taça!
Que se torne impossivel a esprança, E nunca a dor (que sempre o mal assiste) E seja unica esprança a desventura!...
Se em silencio sofrer fôra vingança!... Envolve-te em ti mesmo, ó alma triste, Talvez que sem esprança haja ventura!...