Portuguese poem
I
Flor dos povos! oh tu que inda te embalas, E inda em botão, aos ventos do futuro! Que tens por vazos e jardins e salas Toda a vasta extensão do tempo escuro! E frontes gloriosas a adornal-as, A fronte da historia, o grande auguro! Lirio que saes do seio á humanidade Como filha melhor--Fraternidade!
Deixa que escreva aqui teu nome todo, E já d'aqui aspire teu perfume! E, arredando co'as mãos o frio lodo Do presente, me aqueça a esse teu lume! Deixa beijar-te em sonho, e d'este modo Trazer-te unida ao seio, que consumme Esta ancia ardente de destino novo, E este fogo roubado ao seio do povo!
Porque te vemos só quando sonhamos... E, irmã! só nos sorris em nosso somno... E, a dormir, doce amiga, te beijamos! Tu--só em nossas almas--tens teu throno Ainda! mas, sem ver-te, te adoramos, E, como um cão fiel segue o seu dono, Trazemos ante o olhar tua lembrança, E caminhamos cheios de confiança!
Fraternidade! esta palavra é suave, Como antegosto de melhor destino! Como a onda de um Ganges que nos lave! E como a pósse de um penhor divino! Como o vôo sereno de uma ave Que, sendo apenas ponto pequenino, Emtanto faz, transpondo ao longe um monte, Sonhar com melhor céo e outro horisonte!
O grande céo! o céo da humanidade! Onde os povos serão constellações, E, destillando a luz da liberdade, Serão astros e estrellas as nações! Onde hade o grande laço da egualdade Reunir a vontade e os corações! Cobrindo-os, a dormir, os mesmos céos, Terão todos tambem o mesmo Deus.
Não vejo outro Evangelho de ouro escripto Dentro no homem,--nem sei que outro areal, Outro cabo, outro monte de granito, Do grande navegar surja a final! Guiados pelo instincto do infinito É para lá que os povos--náo real!-- Hão a prôa virar lá quando um dia Marearem pela bussula harmonia!