Portuguese poem
I
Eu amo a noite ás horas socegadas Que o Senhor manda á terra, como balsamo A tanta dôr que a punge, e o sol do dia Parece escarnecer com tanto brilho, Nem sabe respeitar; quando o silencio Com manto protector envolve os tristes, Os que choram saudades; quando o orvalho Refresca o seio á flôr, e em cada balsa A viração prepassa suspirando; Quando é mais puro o ár, mais doce a brisa, Mais sumidos, mais vagos os rumores, E detraz da montanha, saudosa Como a virgem dos sonhos, surge a lua.