Portuguese poem
I
Como um vento de morte e de ruina, A Duvida soprou sobre o Universo. Fez-se noite de subito, immerso O mundo em densa e algida neblina.
Nem astro já reluz, nem ave trina, Nem flor sorri no seu aereo berço. Um veneno sutil, vago, disperso, Empeçonhou a criação divina.
E, no meio da noite monstruosa, Do silencio glacial, que paira e estende O seu sudario, d'onde a morte pende,
Só uma flor humilde, mysteriosa, Como um vago protesto da existencia, Desabroxa no fundo da Consciencia.