Portuguese poem
Iii
Passa a lua; do alto olhando a terra Procura o triste por lhe dar allivio; Prepassa a viração e busca do ermo A florinha minada que refresque; Corre manso o regato, e banha a erva Que um pé calcou, e o sol deixou crestada; Tremúla a estrella, symbolo de esperanças, Enviam-se harmonias as espheras; Tudo amor, tudo affectos communica; E o espirito do homem busca livre Da sob'rana harmonia a eterna fórmula, Do eterno amor o fóco, a patria sua.
Lembranças de um viver já pressentido, Ou memorias--talvez--de uma outra vida, Que nos relembra vaga, e como em sonhos, E sobre o fundo d'esta se destacam Como pela penumbra um vulto incerto... Aspirações, memorias, ou saudades, O que nos enche o peito e nos enleva Como um sonho de amor--e mais ainda-- Senão este mysterio do futuro, Esta attracção do sêr a vida nova, Que se foge e se busca e nos revela A vida universal, então sentida Mais forte na harmonia do Universo?