Versos Portuguese Antero de Quental Voz do Outomno

Portuguese poem

Voz do Outomno

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Ouve tu, meu cançado coração, O que te diz a voz da Natureza: — «Mais te valera, nú e sem defeza, Ter nascido em asperrima soidão,

Ter gemido, ainda infante, sobre o chão Frio e cruel da mais cruel deveza, Do que embalar-te a Fada da Beleza, Como embalou, no berço da Ilusão!

Mais valera á tua alma visionaria Silenciosa e triste ter passado Por entre o mundo hostil e a turba varia,

(Sem ver uma só flor, das mil, que amaste) Com odio e raiva e dor... que ter sonhado Os sonhos ideaes que tu sonhaste!» —