Versos Portuguese Antero de Quental Viii

Portuguese poem

Viii

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Lá! Mas aonde é lá?--Espera, Coração indomado! o céo, que anceia A alma fiel, o céo, o céo da Idea. Em vão o buscas n'essa immensa esphera!

O espaço é mudo: a immensidade austera De balde noite e dia incendeia... Em nenhum astro, em nenhum sol se alteia A rosa ideal da eterna primavera!

O Paraiso e o templo da Verdade, Oh mundos, astros, sóes, constellações! Nenhum de vós o tem na immensidade...

A Idea, o summo Bem, o Verbo, a Essencia, Só se revela aos homens e ás nações No céo incorruptivel da Consciencia!

A um crucifixo

Lendo, passados 12 annos, o soneto da parte 1.^a que tem o mesmo titulo

Não se perdeu teu sangue generoso, Nem padeceste em vão, quem quer que foste, Plebeu antigo, que amarrado ao poste Morreste como vil e faccioso.

D'esse sangue maldito e ignominioso Surgio armada uma invencivel hoste... Paz aos homens e guerra aos deuses!--poz-te Em vão sobre um altar o vulgo ocioso...

Do pobre que protesta foste a imagem: Um povo em ti começa, um homem novo: De ti data essa tragica linhagem.

Por isso nós, a Plebe, ao pensar n'isto, Lembraremos, herdeiros d'esse povo, Que entre nossos avós se conta Christo.