Portuguese poem
Vi
Mas quem se assenta ás horas do mysterio, Entre as flôres do prado, ou sobre a encosta Da collina virente e olhando a lua Que banha em luz a esphera crystallina, Inveja quem habita n'esses mundos... E fita o olhar por esse espaço, e cuida Sondar-lhe o infinito; quem anhela Desvendar-lhe os mysterios e buscando A região que se sonha e não se avista Dal-a por patria á sua alma... oh! esse A viagem não teme, antes anceia, Quebrada a fórma d'este sêr, alar-se Em busca de outra mais perfeita, e sempre De degráo em degráo, de esphera em esphera, --Metempsycose eterna!--sublimar-se Na progressão d'este ascender constante Da parte ao todo, do mortal principio Em busca de um futuro inattingivel, Porém melhor cada hora, e a cada passo.
E quem pode temel-a, essa viagem, Quando fitando o olhar no alto, avista Banhado em luz o espaço immenso e puro, Patente e franca a estrada do Universo, E como que visivel o infinito? Quando tudo no céo e pela terra Parece, como irmão, dar-nos confiança Em nós e em si para seguir avante? Quando se sente palpitar no seio Não só já a mesquinha vida propria Mas todo o grande sêr do que é creado? Quando nas aras do Universo, o espirito Communga, como irmão, na mesma crença, Com tudo quanto vive, e a mais aspira, Ah! quem pode temer, noite de encanto, Noite pura e sagrada ao Deus de affecto, Protegido por tua luz amiga, A aspiração dos immortaes destinos. Um pouco mais ao peregrinar constante, A entrevista do infinito e do homem?