Portuguese poem
*O Selvagem*
A Silva Qinto
Eu não amo ninguem. Tambem no mundo Ninguem por mim o peito bater sente, Ninguem entende meu sofrer profundo, E rio quando chora a demais gente.
Vivo alheio de todos e de tudo, Mais callado que o esquife, a Morte e as lousas, Selvagem, solitario, inerte e mudo, --Passividade estupida das Cousas.
Fechei, de ha muito, o livro do Passado Sinto em mim o despreso do Futuro, E vivo só commigo, amortalhado N'um egoismo barbaro e escuro.
Rasguei tudo o que li. Vivo nas duras Regiões dos crueis indifferentes, Meu peito é um covil, onde, ás escuras, Minhas penas calquei, como as serpentes.
E não vejo ninguem. Saio sómente Depois de pôr-se o sol, deserta a rua, Quando ninguem me espreita, nem me sente, E, em lamentos, os cães ladram á lua...