Versos Portuguese António Duarte Gomes Leal *O Ouro*

Portuguese poem

*O Ouro*

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A Theophilo Braga

Dizia o ouro á pedra;--Ente mesquinho! Que profundo scismar sempre te préga Á beira d'uma estrada, ou d'um caminho, Pasmada, mas sem ver, eterna cega?!

Em vão o orvalho a ti te lava e rega! Em ti não cresce nunca pão, nem vinho, Dura e inutil--o lodo é teu visinho, E o homem só, por te pisar, t'emprega!

Em ti só medra e cresce o cardo os lixos! Tu serves só d'abrigo ao lodo e aos bixos, E ensanguentas os pés descalços, nus!

Ó pedra! quanto a mim, sou a Riqueza! --A cega disse, então, com singeleza: --Eu, tambem, guardo no meu seio a Luz!