Versos Portuguese António Duarte Gomes Leal *Phantasias Da Lua*

Portuguese poem

*Phantasias Da Lua*

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Terret, lustrat, agit proserpiua, Luna, Diana, Ima, supernas, feras, sceptro, fulgore, sagitta. (Distico de Hieronim)

Hontem fui atravez dos arvoredos, --Os bons carvalhos épicos rugosos!-- Com ella, como dous novos esposos, --E a lua então contou-nos mil segredos!--

Ella vinha estreitada contra mim-- E atravez das veredas seculares, Dava a lua umas sombras singulares Á sua alva botinha de setim!...

Não haviam estatuas nas veredas, --As estatuas crueis entre as ramagens!-- E ouvia-se o ranger das suas sedas Sobre as folhas,--segindo-a como uns pagens.

Tremia todo unido contra o meu, Como uma ave, seu braço palpitante; E era vago, qual musica distante, O azul nocturno mistico do Ceu.

De vez em quando unia contra a minha A sua mão mais branca que um cyrio, E como um casto amante uma rainha Seguia atraz do seu vestido um lyrio.

As fontes tinham agoas de brilhantes; E em quanto a sua voz vibrava em mim, Eu fitava seus olhos avidos, amantes, Na sua alva botinha de setim.

Ella é fragil e timida. Ama as rosas, Crê nos sonhos, visões, nos malmequeres,-- E chora com as musicas nervosas Como as debeis e mysticas mulheres.

No entanto mais ninguem do que eu receia Seus pobres, frageis nervos delicados! Ninguem mais me seduz do que a sereia, Correndo a mão fransina nos teclados!

Iamos assim fallando d'escudeiros, Paladins, lendas, dramas, toda a escura Edade media, em quanto na espessura, Os rouxinoes cantavam nos loureiros.

Mas eis que pára... e diz-me de repente, Cravando-me o olhar tragico sublime, --Mata-me um dia!--E eu li, perfeitamente, --Em seus olhos azues o amor do Crime!--

Mata-me tu! cruel! disse-lhe eu rindo, E em quanto o seu olhar errava em mim,-- E enterra-me depois n'um sitio lindo, --N'um loureiro que cresce em teu jardim!

Minha alma ali será perto da tua, Como as almas irmãs, branca sereia, E tremerei nas folhas, pela lua, Ao sentir teus pésinhos sobre a areia!

Manda pôr o meu corpo em sitio lindo, Debaixo d'um loureiro, em teu jardim; Meu bem! Mata-me tu! disse-lhe rindo:-- Ensanguenta as botinhas de setim!

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E eis aqui como em noutes amorosas Nestes bons climas callidos do Sul, Produz sonhos, chymeras monstruosas, A triforme immortal--a lua azul!