Versos Portuguese António Duarte Gomes Leal *Palacios Antigos*

Portuguese poem

*Palacios Antigos*

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A Anthero do Quental.

Bons castellos leaes nas rochas construidos, Ás contorções do vento, á chuva ennegrecidos, Que vamos admirar na angustia dos poentes; Grandes sallas feudaes com tellas de parentes, O que fazeis de pé, como entre os nevoeiros, Os antigos heroes e as sombras dos guerreiros?!

Uma grande tristeza enorme vos habita! No entanto a alma antiga ainda em vós palpita, Evocando a emoção das chronicas guerreiras; E mau grado o destroço, a herva, e as trepadeiras, --Como um desejo bom nas almas devastadas-- Cresce, ao vento, uma flor no peito das sacadas!

A parasita hera avassalou os muros! Aninha-se o bolor nos cantos mais escuros, Tudo dorme na paz das cousas silenciosas; E nos velhos jardins aonde não ha rosas, --Só resistindo ainda aos seculos injustos-- Uma Venus de pedra espera entre os arbustos!

Paira em tudo o silencio e o lugubre abandono Das cousas que já estão dormindo o grande somno, Evocando ainda em nós os velhos cavalleiros, --E ás lufadas do vento, os grandes reposteiros, Entre as nossas visões das epocas sublimes, Agitam-se ao luar vermelhos como crimes.

Mas no entanto o poeta entende aquellas dores, E as mudas solidões, os largos corredôres, As boas castellãs as gothicas janellas, Abertas toda a noute a olhar para as estrellas; Só elle sabe os ais e os gemidos das portas, --E inveja ás vezes ser o pó das cousas mortas!