Portuguese poem
Preludio
by António Joaquim de Castro Feijó (1859–1917)
Ferreiro velho e cansado Deixa a forja, não trabalha; O fogo, quasi apagado, Poucas faúlas espalha; Mas do ferro trabalhado Vae recolhendo a limalha. Ferreiro velho e cansado Deixa a forja, não trabalha.
Como á luz do sol doirado É poeira d'oiro a limalha, A todo o olhar angustiado Em que a Saudade se espalha, Parecem d'oiro e brocado Lentejoulas de mortalha... Ferreiro velho e cansado Deixa a forja, não trabalha; Mas do ferro trabalhado, Vae recolhendo a limalha.