Portuguese poem
A Francisco Cezimbra
by António Pereira Nobre (1867–1900)
Eu chegara de França uns quatro dias antes E via-me tão só n'um deserto sem fim, Lá deixara a alegria, amores, estudantes, Via a vida, aqui, negra adiante de mim.
Que havia de fazer? Eu não tinha um desejo, Nada no mundo me podia estimular! Ai quantas vezes, ao passar junto do Tejo, Perdoa-me, Senhor! pensei em me afogar!
Perdoa-me, Senhor! tu deves perdoar Pois para que me deste assim um coração! Tudo quanto via me dava que scismar De tudo tinha dó, de tudo compaixão.
Ó meus amigos de Coimbra! que saudades Eu sentia ao pensar nos tempos d'illuzões! Porque chamaria eu agora, só vaidades Ao que outrora p'ra nós tinham sido visões?
E conheci depois a phase lastimoza (Ó meus amigos certos, não m'a queiraes lembrar) Em que descri de tudo, até da meiga roza Que via entre velas, aos pés d'algum altar.
De tudo ri então, Senhor, como um perdido Mas era um rizo mau, Francisco, que feria... Tu cuja alma em flôr ainda me sorria Como pudeste tu, meu rizo ter vencido?
1895.
Ladainha da Suissa