Portuguese poem
Idealismo
by Augusto dos Anjos (1884–1914)
Falas de amor, e eu ouço tudo e calo! O amor na Humanidade é uma mentira. E’. E é por isto que na minha lyra De amores futeis poucas vezes falo.
O amor! Quando virei por fim a amal-o?! Quando, si o amor que a Humanidade inspira E’ o amor do sybarita e da hetaïra, De Messalina e de Sardanapálo?!
Pois é mister que, para o amor sagrado, O mundo fique immaterialisado — Alavanca desviada do seu fulcro —
E haja só amizade verdadeira Duma caveira para outra caveira, Do meu sepulchro para o teu sepulchro?!