Portuguese poem
Psychologia de um Vencido
by Augusto dos Anjos (1884–1914)
Eu, filho do carbono e do ammoniaco, Monstro de escuridão e rutilancia, Soffro, desde a epigénesis da infancia, A influencia má dos signos do zodiaco.
Profundissimamente hypocondriaco, Este ambiente me causa repugnancia. Sobe-me á bocca uma ancia análoga á ancia Que se escapa da bocca de um cardiaco.
Já o verme — este operario das ruinas — Que o sangue pôdre das carnificinas Come, e á vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roêl-os, E ha de deixar-me apenas os cabellos, Na frialdade inorganica da terra!