Portuguese poem
Ricordanza della mia Gioventú
by Augusto dos Anjos (1884–1914)
A minha ama de leite Guilhermina Furtava as moedas que o Doutor me dava. Sinhá-Mocinha, minha Mãe, ralhava. Via naquillo a minha propria ruina!
Minha ama, então, hypocrita, affectava Susceptibilidades de menina: «— Não, não fôra ella! —” E maldizia a sina, Que ella absolutamente não furtava.
Vejo, entretanto, agora, em minha cama, Que a mim somente cabe o furto feito... Tu só furtaste a moeda, o oiro que brilha
Furtaste a moeda só, mas eu, minha ama, Eu furtei mais, porque furtei o peito Que dava leite para a tua filha!