Portuguese poem
Ii
by Augusto Gil (1873–1929)
A Israel Anahory
Todas as coisas são difficeis; o homem não as póde explicar com palavras. Os olhos não se fartam de vêr nem o ouvido se enche de escutar.
(Capit. I, v. 8).
Palavras são palavras... Nada dizem. Teias d'aranha que jámais impedem Que as ideias se escapem e deslizem...
Nescios os homens são quando procedem Como quem a verdade sempre traja E nunca della se encontrou despido...
Difficil é... o que mais simples haja --Quanto mais o que fôr mais escondido!...
Para que uma verdade vá julgar, Para que um sentimento vá sentir, Olhos: não vos canceis nunca d'olhar E vós, ouvidos, não deixeis d'ouvir.
Mas por fim Nem assim...
O mais profundo pensamento É sempre insubsistente e aerio, Por que a todo o momento --Se perde no misterio...