Versos Portuguese Augusto Gil Ii

Portuguese poem

Ii

by (1873–1929)

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Oração

Outomno. Morre o dia. Cae sobre as coisas placidas e calmas Um véo de sombra e de melancolia Que dulcifica e embrandece as almas.

Todo o meu sêr se invade De enervantes e mysticas doçuras, De mansidão, de paz, de suavidade, De sentimentos bons, de ideias puras.

No coração prepassa Uma piedade e compaixão serena Por todos os validos da desgraça, Por tudo quanto soffre e quanto pena:

Pelos pequenos entes Sem abrigo, sem lar e sem carinho, Que são como avesinhas innocentes Postas por mão cruel fóra do ninho;

Pelos encarcerados Que lançam, d'entre as grades da cadeia, Ao ar, á luz, aos montes afastados A vista afflicta e de amarguras cheia;

Pelos que vão pedindo De porta em porta o pão de cada dia, Tristes, que sempre a morte olham sorrindo Porque ella unicamente os allivia;

Pelos que andam distantes Entre cruezas, fomes e perigos, Sentindo a nostalgia lancinante Da patria, da familia, dos amigos;

E n'uma emoção crente, N'uma fé viva, forte e bemfazeja, A Deus supplico fervorosamente Que os guie, que os soccorra, que os proteja.

De longe