Portuguese poem
Joanninha
by Augusto Gil (1873–1929)
A Mayer Garção
Descance de quando em quando... Passar assim toda a tarde Sempre bordando, bordando, Sem que um momento desista, Até faz pena! Não lhe arde Nem se lhe perturba a vista?...
Descance de quando em quando... Erga os olhos do bordado E veja quem vae passando. O trabalho alegra a gente, Mas assim, tão aturado, --Não lhe faz bem certamente.
Erga a carinha tranquilla, Erga esse rosto tão lindo E veja os moços da villa A passarem por aqui, Uns descendo, outros subindo, --E todos d'olhos em si...
Descance de quando em quando E veja se escolhe algum; Já é tempo d'ir pensando Em casar. Não é assim?... Se não lhe agrada nenhum, --Diga se gosta de mim.
Desde os começos do outono Que eu a trago no sentido, Não como, não tenho sono, Tudo me dá ralação? Quer-me para seu marido? --Diga que sim ou que não...
QUANDO AS ANDORINHAS PARTIAM...
A Cassianno Neves
Bocca talhada em milagrosas linhas, A luz augmenta com o seu falar.
Esta manhã um bando de andorinhas Ia-se embora, atravessava o mar.
Chegou-lhes ás alturas, pela aragem, Um adeus suave que ella lhes dissera,
--E suspenderam todas a viagem, Julgando que voltára a primavera...