Portuguese poem
Mãos Frias Coração Quente
by Augusto Gil (1873–1929)
Dez da manhã. Vento da serra. Tres graus negativos
Mãos frias, coração quente! Quanta vez isto dizias Com o teu ar sorridente, Apertando-me as mãos frias...
Agora decerto o tenho Num brazeiro, num vulcão. O frio é tanto, é tamanho Que a penna cae-me da mão...
Q'ria dizer-te o que penso E o que faço e premedito, Mas posso lá ser extenso Com este frio maldito!
Tu perdoas certamente, Tu não te zangas, pois não? Mãos frias, coração quente --Lá diz o velho rifão...