Portuguese poem
Bohemias
by Auta de Souza (1876–1901)
O seio branco da aurora Derrama orvalhos á flux... O cirio que brilha, chora: A dôr também fere a luz?
Teus olhos cheios de ardores Aninham rosas nas faces... Que seria dessas flores Responde, se não chorasses?
Sou moça e bem sabes que A moça não tem martyrios; Se chora sempre é porque Pretende imitar os lirios.
Emquanto eu viver no mundo, Meus olhos hão de chorar... Ah! como é doce o profundo Soluço eterno do Mar!
Do labio o consolo santo E’ o riso que vem cantando... O riso do olhar é o pranto: Meus olhos riem chorando.