Portuguese poem
Cantando
by Auta de Souza (1876–1901)
Vai boiando, a tôa, Sem querer parar, Qual penna que vôa, Suspensa no Ar.
Suspensa voando Como um Cherubim Que passa cantando Pelo Azul sem fim.
Pelo Azul se esconda Quem deseja amar, Qual nuvem, qual onda, No Céo ou no Mar.
No Céo, si anoitece, Ninguem vê o Sol... Mas que importa? A Prece E’ um rouxinol.
Rouxinol que chora, Mas sempre a cantar. Quando nasce a aurora Tambem canta o Luar.
Tambem canta amores Um’alma sem luz... Nunca viste flores Aos pés de uma Cruz?
Aos pés de Maria, Gomo é bom rezar! Que casta ambrosia Se espalha no altar,
Se espalha no labio! Sem gosto de fel, O doce resabio De um favo de mel.
De um favo tão doce Como o teu olhar, Pois nelle encarnou-se Mimosa, a brilhar...
Mimosa e tão clara, A estrella que eu vi! A luz que me aclara, Quando penso em ti.