Versos Portuguese Auta de Souza Na capellinha

Portuguese poem

Na capellinha

by (1876–1901)

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Nessa idade para que Se reza... (saberei eu?) A gente reza porque Tambem se reza no Céo.

E ella, tão meiga e pura, Que não conhecia o mal, E que guardava a ventura No coração virginal;

Em sua fé de creança Ingenua e cheia de amor, Talvez pedisse a esperança Para os que vivem na dôr.

Talvez tivesse gemidos Para quem vive a chorar, Para os que vagam perdidos Nas frias ondas do mar.

E emquanto o labio querido Orava piedoso assim, Do negro olhar commovido O pranto rolou por fim.

E deslisaram sem calma As bagas por sua tez No desconsolo de um’alma Que chora a primeira vez.

Su’alma santa onde moram A Luz, a Innocencia e o Bem, Pedindo pelos que choram Foi soluçando tambem.

E comprehendendo o segredo D’aquella doce emoção, Eu disse baixinho, a medo, Fallando ao meu coração:

Bemditos nós que soffremos Varados por magua atroz... Emquanto assim padecemos Os anjos pedem por nós.