Portuguese poem
Na primeira pagina da Imitação de Christo
by Auta de Souza (1876–1901)
Vinde a mim todos os que estais fatigados e oprimidos, e eu vos consolarei. IMIT. DE CRISTO L. IV. cap. I
Quando meu pobre coração doente, Cheio de mágoas, desolado e aflito, Sinto bater descompassadamente, Abro este livro então: leio e medito.
Leio e medito nesta voz celeste Quem vem do Além, qual mensageiro santo, Trazer um ramo de oliveira agreste Aos que navegam sobre o mar do pranto.
Meus pobres olhos sempre rasos d’água, Por um instante deixam de chorar; E nas asas da Prece a minha mágoa Vai-se um momento para além do Mar.
E d’entro d’alma, nua de esperança, Eu penso ouvir como n’um sonho doce Alguém que fala numa voz tão mansa Como se o eco de um suspiro fosse:
“Vem a mim se padeces: no meu seio Corre a fonte serena da Alegria... Eu sou Aquele que sorrindo veio Dourar as trevas da Melancolia.
Eu sou um branco e pálido sorriso Iluminando a tua solidão: Faze de minha Cruz um Paraíso E do meu Coração teu coração.
Faze-te humilde, humilde e pequenina, Como as crianças, como os passarinhos... Escuta e guarda a minha lei divina, No sacrário ideal dos meus carinhos.
Não sabes quanto padeci no Horto, Por ti, por teu amor, filha querida? Eu sou o Anjo formoso do conforto, Venho trazer o bálsamo à ferida.
Carrega a tua Cruz e vem comigo Pela estrada da Dor e do Tormento. Eu serei teu irmão, teu sol, o amigo Que em lírios mudará o sofrimento.
Venho trazer a Paz... Longe da terra A Paz habita... Ao pé do Santuário, Ó minha filha, a doce paz se encerra Dentro da Hóstia, dentro do Sacrário.
Felizes os que sofrem e no meu seio Recolhem suas queixas como preces; Volta o pesar ao Céu de onde ele veio... Feliz, ó sim! feliz tu que padeces!”
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