Portuguese poem
Mimo de annos
by Auta de Souza (1876–1901)
Pensei ao acordar: Faz anos Sinhazinha. À minha afilhadinha Que mimo posso dar?
E, d’alma nos refolhos, Alguém disse-me, então: Leva-lhe o coração E a bênção de teus olhos.
E logo, ó flor celeste! Corri a abençoar-te... Mas, antes de abraçar-te, A minha mão vieste
Beijar tão docemente, Com tão gentil carinho, Como o de um pobrezinho Beijando a mão clemente
D’aquele que o consola Lançando-lhe no seio, Cheio de humilde enleio, A pequenina esmola!
E eu cismo, então, com pejo: Bênção e coração, Acaso valerão O mimo d’esse beijo?
Um beijo de criança, Caindo em minhas dores, É como o Sol nas flores. O pálio da esperança.
E enquanto, ó lírio, voa A ti meu coração, Beijando a minha mão, É’s tu quem me abençoa...
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