Portuguese poem
Meu sonho
by Auta de Souza (1876–1901)
Quando, nas noites frias de inverno, Eu tenho medo da tempestade, Elle, o meu sonho, consolo eterno, Transforma as sombras em claridade.
Quando no seio, choroso e louco, Palpita, incerto, meu coração... O sonho doce vem, pouco a pouco, Trazer-me a graça de uma illusão.
E eu canto e rio na luz dispersa Deste diluvio de phantasias... Minh’alma vôa no Azul immersa Buscando a patria das harmonias.
Imagem doce, visão sagrada, Chimera excelsa dos meus amores, Perola branca, delicia amada Balsamo puro das minhas dôres;
Elle, o meu sonho, pharol que encanta, Guia-me á patria da salvação Sorriso ingênuo, reliquia santa, Do relicario do coração!