Portuguese poem
Meu pae
by Auta de Souza (1876–1901)
Desce, meu Pai, a noite baixou mansa. Nem uma nuvem se vê mais no céu: Aninharam-se aqui no peito meu, Onde, chorando, a negra dor descansa.
Quando morreste eu era bem criança, Balbuciava, sim, o nome teu, Mas d’este rosto santo que morreu Já não conservo a mínima lembrança.
A noite é clara; e eu, aqui sentada, Tenho medo da lua embalsamada, Corta-me o frio a alma comovida.
Se lá no Céu teu coração padece, Vem comigo rezar a mesma prece: Tua bênção, meu pai, me dará vida!