Versos Portuguese Auta de Souza Luz e Sombra

Portuguese poem

Luz e Sombra

by (1876–1901)

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Vamos seguindo pela mesma estrada, Em busca das paragens da ilusão; A alma tranqüila para o Céu voltada, Suspensa a lira sobre o coração.

Ris e eu soluço... (Loucas peregrinas!) E em toda parte, enfim, onde passamos, Deixo chorando os olhos das meninas, Deixas cantando os pássaros nos ramos.

Porque elas amam tua voz canora, Ó delicado sabiá da mata! E eu lembro triste a juriti que chora E a voz dorida em lágrimas desata.

Gostam de ver-te o rosto de criança Limpo das névoas de um martírio vago, O lábio em riso, desmanchada a trança, No olhar sereno a candidez do lago.

Até perguntam quando sobre a areia Em que tu pisas vão nascendo rosas: “Bela criança, tímida sereia, Irmã dos sonhos das manhãs radiosas.

Por que trilhando a terra dos caminhos, Onde o teu passo faz brotar mil flores, Esta velhinha vai deixando espinhos E um longo rastro de saudade e dores?”

Não lhes respondas... Pela mesma estrada Sigamos sempre em busca da Ilusão; A alma tranqüila para o céu voltada, Suspensa a lira sobre o coração.

Vamos; desprende a doce voz canora, Que ela afugenta da tristeza o açoite; E, enquanto elevas o teu hino à aurora, Eu vou rezando as orações da noite...