Portuguese poem
V
by Camilo Castelo Branco (1825–1890)
Lagrimas
Senhora! em vosso rosto macerado Transluz da alma afflicta a immensa dôr! D'um lado, a morte; do outro, o vosso Amor Tremenda lucta ao pé do Esposo amado!
Contaes as pulsações do peito anciado Em estos convulsivos do estertor; Só podem vossos labios dar calor Áquelle corpo inerte, hirto, gelado.
Vós bem vêdes, Senhora, este quebranto Que enluta Portugal! Ergue-se o pranto, Quando a morte do Paço se avisinha...
Pois quanto uma nação póde soffrer Não tem o acerbo e intenso padecer Das vossas sanctas lagrimas, Rainha!