Portuguese poem
Xxvi
by Camilo Castelo Branco (1825–1890)
A outra metade
Quando este corpo meu esfacellado Baixar á leiva humida da cova, Hão-de os jornaes carpir a infausta nova, Taxando-me de sabio consumado.
Estalará na imprensa enorme brado, Pedindo a resurgencia d'um Canova, Que a morta face em marmore renova Para insculpir meu busto laureado.
E algum dos imbecis necrologistas, Com soluçantes vozes de saudade, Dirá em ricas phrases nunca vistas:
«Esse genio immortal, rei dos artistas, «No ceu pede ao Senhor que a outra metade «Reparta por vossês, ó jornalistas!»