Portuguese poem
Anjo!
by Casimiro de Abreu (1839–1860)
Eu era a flor desfolhada Dos vendavais ao correr; Tu foste a gota dourada E o lírio pôde viver.
Poeta, dormia pálido No meu sepulcro, bem só; Tu disseste - Ergue-te Lázaro! - E o morto surgiu do pó!
Eu era sombrio e triste... Contente minh'alma é; Eu duvidava... sorriste, Já no amar tenho fé.
A fronte que ardia em brasas A seus delírios pôs fim Sentindo o roçar das asas, O sopro dum querubim.
Um anjo veio e deu vida Ao peito de amores nu: Minh'alma agora remida Adora o anjo - que és tu!