Portuguese poem
A uma platéia
by Casimiro de Abreu (1839–1860)
O cedro foi planta um dia, Viço e força o arbusto cria, Da vergôntea nasce o galho; E a flor p'ra ter mais vida, Para ser - rosa querida - Carece as gotas de orvalho.
Com o talento é o mesmo Quando tímido ele adeja - Qual ave que se espaneja - Como a flor, também precisa Em vez do sopro da brisa O sopro da simpatia Que lhe adoce os amargores, Para em horas de cansaço Na estrada que vai trilhando Encontrar de quando em quando Por entre os espinhos - flores.
E vós que acabais de ouvi-lo A suspirar nesse trilo No seu gorjeio primeiro; Vós, que viste o seu começo. Dai-lhe essas palmas de apreço Que é artista e... brasileiro!