Portuguese poem
Sete de setembro
by Casimiro de Abreu (1839–1860)
I Foi um dia de glória! - O povo altivo Trocou sorrindo as vozes de cativo Pelo cantar das festas! O leão indomável do deserto Bramiu soberbo, dos grilhões liberto, No meio das florestas!
Lá no Ipiranga do Brasil o Marte Enrolado nas dobras do estandarte Erguia o augusto porte; Cercada a fronte dos lauréis da glória Soltou tremendo brado da vitória: - Independência ou morte!
O santo amor dos corações ardentes Achou eco no peito dos valentes No campo e na cidade; E nos salões - do pescador nos lares, Livres soaram hinos populares À voz da liberdade!
II Anos correram; - no torrão fecundo Ao sol de fogo deste novo-mundo A semente brotou; E franca e leda, a geração nascente À copa altiva da árvore frondente Segura se abrigou!
A roda da bandeira sacrossanta Um povo esperançoso se levanta Infante e a sorrir! A nação do letargo se desperta, E - livre - marcha pela estrada aberta Às glórias do porvir!
O país, n'alegria todo imerso, Velava atento à roda só dum berço. Era o vosso, Senhor! Vós do tronco feliz doce renovo, Vede agora, Senhor, na voz do povo Quão grande é seu amor!