Portuguese poem
Três cantos
by Casimiro de Abreu (1839–1860)
Quando se brinca contente Ao despontar da existência Nos folguedos de inocência, Nos delírios de criança; A alma, que desabrocha Alegre, cândida e pura - Nessa contínua ventura É toda um hino: - esperança!
Depois... na quadra ditosa, Nos dias da juventude, Quando o peito é um alaúde, E que a fronte tem calor; A alma que então se expande Ardente, fogosa e bela - Idolatrando a donzela Soletra em trovas: - amor!
Mas quando a crença se esgota Na taça dos desenganos, E o lento correr dos anos Envenena a mocidade; Então a alma cansada Dos belos sonhos despida, Chorando a passada vida - Só tem um canto: - saudade!