Portuguese poem
Última folha
by Casimiro de Abreu (1839–1860)
Meu Deus! Meu Pai! Se o filho da desgraça Tem jus um dia ao galardão remoto, Ouve estas preces e me cumpre o voto - A mim que bebo do absinto a taça!
- "Feliz serás se como eu sofreres, "Dar-te-ei o céu em recompensa ao pranto" - Vós o disseste - E eu padeço tanto!... Que novos transes preparar me queres?
Tudo me roubam meus cruéis tiranos: Amor, família, felicidade, tudo!... Palmas da glória, meus lauréis do estudo, Fogo do gênio, aspiração dos anos!...
Mas o teu filho já se não rebela Por tal castigo, pelas mágoas duras; - Minh'alma of'reço às provações futuras... Venha o martírio... mas - perdão p'ra ela!...
A doce virgem se assemelha às flores... O vento a quebra no seu verde ninho. - Velai ao menos pelo pobre anjinho, - Pagai-lhe em gozo o que me dais em dores!