Portuguese poem
A Forca
Já que adorar-me dizes que não podes, Imperatriz serena, alva e discreta, Ai, como no teu colo há muita seta E o teu peito é peito dum Herodes, Eu antes que encaneçam meus bigodes Ao meu mister de ama-te hei de pôr meta, O coração mo diz - feroz profeta, Que anões faz dos colossos lá de Rodes. E a vida depurada no cadinho Das eróticas dores do alvoroço, Acabará na forca, num azinho, Mas o que há de apertar o meu pescoço Em lugar de ser corda de bom linho Será do teu cabelo um menos grosso.