Portuguese poem
Cadências tristes
Ó bom João de Deus, ó lírico imortal, Eu gosto de te ouvir falar timidamente Num beijo, num olhar, num plácido ideal; Eu gosto de te ver contemplativo e crente, Ó pensador suave, ó lírico imortal!
E fico descansada à noite, quando cismo Que tentam proscrever a sensibilidade, E querem denegrir o cândido lirismo; Porque o teu rosto exprime uma serenidade Que vem tranquilizar-me à noite, quando cismo!
O enleio, a simpatia e toda a comoção Tu mostras no sorriso ascético e perfeito; E tens o edificante e doce amor cristão, Num trono de bondade, a iluminar-te o peito, Que é toda a melodia e toda a comoção!
Poeta da mulher! Atende, escuta, pensa, Já que és o nosso irmão, já que és nosso mestre. Que ela, ou doente sempre ou na convalescença, É como a flor de estufa em solidão silvestre, Ao tempo abandonada! Atende, escuta, pensa!
E, ó meigo visionário, ó meu devaneador, O sentimentalismo há de mudar de fases; Mas só quando morrer a derradeira flor É que não hão de ler-se os versos que tu fazes, Ó bom João de Deus, ó meu devaneador!