Versos Portuguese Cesário Verde Cinismos

Portuguese poem

Cinismos

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Eu hei de lhe falar lugubremente Do meu amor enorme e massacrado; Falar-lhe com a luz e a fé dum crente.

Hei de expor-lhe o meu peito descarnado, Chamar-lhe minha cruz e meu Calvário, E ser menos que um Judas empalhado.

Hei de abrir-lhe o meu íntimo sacrário E desvendar a vida, o mundo, o gozo, Como um velho filósofo lendário.

Hei de mostrar, tão triste e tenebroso, Os pegos abismais da minha vida, E hei de olhá-la dum modo tão nervoso,

Que ela há de, enfim, sentir-se constrangida, Cheia de dor, tremente, alucinada, E há de chorar, chorar enternecida!

E eu hei de, então, soltar uma risada.