Portuguese poem
Ai de mim! como estou tão descuidado!
by Cláudio Manuel da Costa (1729–1789)
Ai de mim! como estou tão descuidado! Como do meu rebanho assim me esqueço, Que vendo o trasmalhar no mato espesso, Em lugar de o tornar, fico pasmado!
Ouço o rumor que faz desaforado O lobo nos redis; ouço o sucesso Da ovelha, do pastor; e desconheço Não menos, do que ao dono, o mesmo gado:
Da fonte dos meus olhos nunca enxuta A corrente fatal, fico indeciso, Ao ver, quanto em meu dano se executa.
Um pouco apenas meu pesar suavizo, Quando nas serras o meu mal se escuta; Que triste alívio! ah infeliz Daliso!