Portuguese poem
Aquela cinta azul, que o céu estende
by Cláudio Manuel da Costa (1729–1789)
Aquela cinta azul, que o céu estende A nossa mão esquerda, aquele grito, Com que está toda a noite o corvo aflito Dizendo um não sei quê, que não se entende;
Levantar me de um sonho, quando atende O meu ouvido um mísero conflito, A tempo, que o voraz lobo maldito A minha ovelha mais mimosa ofende;
Encontrar a dormir tão preguiçoso Melampo, o meu fiel, que na manada Sempre desperto está, sempre ansioso;
Ah! queira Deus, que minta a sorte irada: Mas de tão triste agouro cuidadoso Só me lembro de Nise, e de mais nada.