Portuguese poem
Aquele, que enfermou de desgraçado
by Cláudio Manuel da Costa (1729–1789)
Aquele, que enfermou de desgraçado, Não espere encontrar ventura alguma: Que o Céu ninguém consente, que presuma, Que possa dominar seu duro fado.
Por mais, que gire o espírito cansado Atrás de algum prazer, por mais em suma, Que porfie, trabalhe, e se consuma, Mudança não verá do triste estado.
Não basta algum valor, arte, ou engenho A suspender o ardor, com que se move A infausta roda do fatal despenho:
E bem que o peito humano as forças prove, Que há de fazer o temerário empenho, Onde o raio é do Céu, a mão de Jove.